sexta-feira, 13 de setembro de 2019
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
A MINHA VIAGEM AO MATO
A MINHA VIAGEM AO MATO
A MINHA VIAGEM AO MATO
Tinha acabado há pouco tempo a 2ª Grande Guerra, teria eu uns 7 ou 8 anos, e já fazia alguns trabalhos no campo, tais como: as regas das hortas, a apanha do figo, as vindimais, as mondas, etc.
Desta vez, vou contar a minha ida à Charneca da Chamusca com uns boieiros para trazer uma carrada de mato encomendada pelo meu pai e para aprender como se fazia. Na pequena casa agrícola de meu pai, nesse tempo, entre outras coisas, também havia sempre cabras, ovelhas, porcos, burros, etc. e o mato era preciso para as camas do gado e, assim fabricar o estrume para as propriedades agrícolas. A viagem até à Chamusca levava mais de 3 horas a passo de boi, pelo que saímos da minha aldeia natal, os Soudos, um pouco antes do nascer do sol. Eu sentei-me ao lado do boieiro encima do carro e o ajudante seguia a pé à frente dos bois. Quando chegámos à Charneca, depois de uma viagem muito dura para mim, já lá estava o meu pai que tinha ido de bicicleta para comprar e pagar o mato ao roçador. O mato levou muito tempo a carregar ao boieiro e seu ajudante, pois eu não podia com aquelas grandes paveias de mato. Eu já conhecia, Tomar, Torres Novas, Entroncamento, etc. mas naquele dia, fiquei a conhecer também a Golegã e a Chamusca. A meio da tarde ficou o carro bem carregado e iniciámos a viagem de regresso e eu lá me ajeitei na rede do carro, dormi uma soneca, enquanto o boieiro e o ajudante seguiam à frente dos bois a dirigi-los. Quando aquela romaria do carro com o mato todo enfeitado com plantas silvestres, chegou aos Soudos já o Sol se escondia por detrás das serras de Aire e Candeeiros e eram horas da ceia. Era costume dar uma boa ceia ao pessoal logo que o carro ficasse descarregado e assim aconteceu, mas eu o que mais sentia era sono e fui dormir.
Manuel Mar
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
terça-feira, 10 de setembro de 2019
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
O REFÚGIO AMALDIÇOADO
Manuel Mar. “Poesia”
O REFÚGIO AMALDIÇOADO
Quando era menino brincava às casinhas
E já fazia delas o meu castelo de refúgio
Brincava com as coisas que eram minhas
Mas aprendendo com as lindas avezinhas
A maneira de construir o meu subterfúgio.
E fiquei com essa ideia metida na cabeça
Durante os bons anos da minha mocidade
Mas, e por muito estranho que isso pareça
Eu comecei a construir um refúgio à pressa
Quase ao centro duma minha propriedade.
Eu aspirava viver no meio daquele monte
Lá nos arrabaldes dessa linda Serra d’Aire
Tinha lá boa água como a da melhor fonte
Desfrutava do mais maravilhoso horizonte
Mas acabei por sofrer lá o grande desaire.
Furtaram-me tudo quanto eu lá detinha
E, até portas e os portões, tudo limparam
Queixei-me à polícia da má sorte minha
Contei tudo como quem reza a ladainha
E para o Tribunal, queixa eles mandaram.
Meses depois chamaram-me ao Tribunal,
Só para dizerem que nada foi encontrado
O que já é conhecido e de forma habitual
Que muitos roubam no já velho Portugal
E qualquer dia ainda nos roubam o fado.
Manuel Mar.
®
Torres Novas,24/07/2016
Foto: Refúgio
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